Da I&D empresarial<br>no nosso norte-atlântico jardim
Tendo tomado nota da notícia que a PT foi a empresa portuguesa que mais investiu em I&D em 2005, deu-me vontade de relembrar que ela, a PT, ou antes o antepassado CTT - um dos antepassados, bem sei que houve os TLP, a Marconi, a TDP -, ou mesmo, olhando longe, para a segunda metade do século XIX, a DG dos Telégrafos do Reino do Ministério das Obras Públicas, sempre terá sido não apenas a maior investidora em I&D, mas quase a única - pois é, tenho de salvaguardar as excepções que só uma investigação pormenorizada poderá trazer à luz do dia (leitor: então ganha tempo para investigar isso e vem falar apenas quando estiveres seguro… autor: ou seja, nunca mais o faria!).
Nesta mesma notícia é referido que a PT se encontrava no 555.º lugar da lista europeia - já estou farto da palavra rankingPor outro lado, não deve ser esquecido que, tanto os TLP como a Marconi - para além da tradição longa dos CTT neste campo -, sobretudo desde meados da década de 80, uns dez anos antes da criação da PT, desenvolviam actividades de I&D, nomeadamente a nível internacional, no âmbito dos programas da União Europeia e do EURESCOM(1), criado em 1991 pelas operadoras europeias, e no qual participaram, e bem, todos os três - os CTT (Telecom Portugal), a Marconi e os TLP.
E ainda posso relembrar o projecto da Standard Eléctrica de um emissor/receptor para equipar o Exército Português nas guerras em África, no princípio dos anos 70, que acabou por não ganhar o concurso. Ou, sempre na área das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), poderia citar a EID (empresa de investigação e desenvolvimento) que após apresentar um produto seu para automatização do controlo das redes de distribuição de água a concurso no município de Oeiras, por altura do primeiro mandato de Isaltino Morais (1985-1989), retirou e apresentou um produto da concorrência estrangeira - comercializando-o a tal empresa com o nome de I&D (?) -, porque não quis perder o concurso, sabendo que o produto desenvolvido cá - por eles próprios - nunca seria aceite devido às «célebres» questões das contrapartidas (ou seja, o termo para a submissão aos impérios, neste caso o francês).
Mas tirando estas e outras excepções - que, sendo preciso, terão sempre o meu apoio -, vamos sempre cair na PT, ou seja na DG dos Telégrafos, metamorfoseada primeiro em DG dos Correios e Telégrafos, a seguir à proclamação da República em Administração Geral (AG) dos Correios e Telégrafos, depois em AG dos Correios Telégrafos e Telefones (CTT), mudada no final dos anos 60 para Empresa Pública dos CTT. Já nos anos 80 do século passado, a sua componente das Telecomunicações - que tinha sido iniciada com a designação de DG dos Telégrafos do Reino em 1855 - autonomizou-se com a designação de Telecom Portugal. Em 1993 passou a SA e em 1995, enquanto parte do processo de privatização, foi fundida com os TLP e a TDP (mais tarde com a Marconi), passando a Portugal Telecom.
E foi esta entidade que desenvolveu telégrafos e telefones desde logo reconhecidos internacionalmente, estações de comutação telefónica automática que garantiram a automatização até às zonas mais recônditas, que desenvolveu sistemas digitais de comutação e transmissão, mais a rede inteligente que lançou no mundo os pré-pagos nos móveis, que agora nos apresenta a televisão sobre tecnologia IP. Etc. Que futuro em tempo de OPA? O próprio Presidente da PT já alertou para o perigo de toda esta capacidade e actividade vir, de vez, a ser suprimida.
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(1) EURESCOM - European Institute for the Research and Strategic Studies in Telecommunications.
Nesta mesma notícia é referido que a PT se encontrava no 555.º lugar da lista europeia - já estou farto da palavra rankingPor outro lado, não deve ser esquecido que, tanto os TLP como a Marconi - para além da tradição longa dos CTT neste campo -, sobretudo desde meados da década de 80, uns dez anos antes da criação da PT, desenvolviam actividades de I&D, nomeadamente a nível internacional, no âmbito dos programas da União Europeia e do EURESCOM(1), criado em 1991 pelas operadoras europeias, e no qual participaram, e bem, todos os três - os CTT (Telecom Portugal), a Marconi e os TLP.
E ainda posso relembrar o projecto da Standard Eléctrica de um emissor/receptor para equipar o Exército Português nas guerras em África, no princípio dos anos 70, que acabou por não ganhar o concurso. Ou, sempre na área das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), poderia citar a EID (empresa de investigação e desenvolvimento) que após apresentar um produto seu para automatização do controlo das redes de distribuição de água a concurso no município de Oeiras, por altura do primeiro mandato de Isaltino Morais (1985-1989), retirou e apresentou um produto da concorrência estrangeira - comercializando-o a tal empresa com o nome de I&D (?) -, porque não quis perder o concurso, sabendo que o produto desenvolvido cá - por eles próprios - nunca seria aceite devido às «célebres» questões das contrapartidas (ou seja, o termo para a submissão aos impérios, neste caso o francês).
Mas tirando estas e outras excepções - que, sendo preciso, terão sempre o meu apoio -, vamos sempre cair na PT, ou seja na DG dos Telégrafos, metamorfoseada primeiro em DG dos Correios e Telégrafos, a seguir à proclamação da República em Administração Geral (AG) dos Correios e Telégrafos, depois em AG dos Correios Telégrafos e Telefones (CTT), mudada no final dos anos 60 para Empresa Pública dos CTT. Já nos anos 80 do século passado, a sua componente das Telecomunicações - que tinha sido iniciada com a designação de DG dos Telégrafos do Reino em 1855 - autonomizou-se com a designação de Telecom Portugal. Em 1993 passou a SA e em 1995, enquanto parte do processo de privatização, foi fundida com os TLP e a TDP (mais tarde com a Marconi), passando a Portugal Telecom.
E foi esta entidade que desenvolveu telégrafos e telefones desde logo reconhecidos internacionalmente, estações de comutação telefónica automática que garantiram a automatização até às zonas mais recônditas, que desenvolveu sistemas digitais de comutação e transmissão, mais a rede inteligente que lançou no mundo os pré-pagos nos móveis, que agora nos apresenta a televisão sobre tecnologia IP. Etc. Que futuro em tempo de OPA? O próprio Presidente da PT já alertou para o perigo de toda esta capacidade e actividade vir, de vez, a ser suprimida.
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(1) EURESCOM - European Institute for the Research and Strategic Studies in Telecommunications.